Terra do Meio - Brasil Invisível

Bom Bia Brasil Terra do Meio - Brasil Invisível
10/12/2008

Série "Terra do Meio", do Bom Dia Brasil, ganha prêmio internacional



O Bom Dia Brasil foi premiado, em dezembro, em Paris. É mais um reconhecimento pela série Terra do Meio - Brasil invisível. O prêmio se chama Every Human has Rights Media Awards e é promovido pela Internews Europa, em comemoração pelos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Trinta reportagens do mundo todo foram apontadas como as mais relevantes na denúncia de abusos e na promoção dos direitos humanos. O prêmio é patrocinado pela Unesco e pelo The Elders - um grupo de líderes mundiais criado por Nelson Mandela, que inclui ainda: o ex-presidente americano e Nobel da Paz Jimmy Carter e a ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson.

A equipe, formada também pelo técnico Wellington Dourado e pelo editor de imagens Paulo Ferreira, foi representada na França pela editora Fátima Baptista - que produziu as reportagens.

A série Terra do Meio já conquistou outros quatro prêmios nacionais e internacionais.

03/09/2008

Terra do Meio é premiada no México



A série Terra do Meio- Brasil Invisível foi premiada pela Fundação Nuevo Periodismo - que tem como presidente o jornalista, escritor e nobel de literatura Gabriel García Marques.

A cerimônia de entrega do prêmio aconteceu em Monterrey, no México. A equipe foi representada pelo repórter Marcelo Canellas.

As cinco reportagens de Terra do Meio: Brasil Invisível mostram retratos de uma Amazônia desconhecida, repleta de ilegalidades, impunidade e dramáticas histórias de vida. A série foi considerada pelo júri um relato contundente dos efeitos nocivos da grilagem e do desmatamento na região. Ganhou destaque pela investigação e tratamento de imagens.

12/12/2007

Menção honrosa para série do Bom Dia Brasil




A série Terra do Meio - Brasil Invisível, apresentada no Bom Dia Brasil na semana de 3 a 7 de dezembro, recebeu menção honrosa do movimento humanos direitos, nesta terça-feira (11) à noite, no Rio de Janeiro.

Foi durante a entrega do Prêmio João Canuto ao repórter Marcelo Canellas (foto). A ONG, presidida pela atriz Dira Paes, executa e apóia projetos de erradicação do trabalho escravo e infantil e de desenvolvimento sócio-ambiental.

11/12/2007

Terra do Meio: território dos grileiros



Veja a seguir a reportagem exibida pelo Fantástico a partir da série "Terra do Meio - Brasil invisível".





Bem longe do eixo Rio-São Paulo, existe um pedaço do Brasil que quase ninguém conhece. É um lugar no Pará chamado Terra do Meio. Ali, vivem pessoas que nascem, crescem e morrem sem documentos, sem a presença do governo, sem direitos.

Na reportagem a seguir, uma sucessão de escândalos, denunciada numa série de reportagens que o Bom Dia Brasil exibiu durante a semana.


Houve um tempo de fartura.

“Na época da seringa era a época melhor do mundo”, comenta Francisco Feitosa de Araújo.

Houve um tempo heróico.

“Uma onça matou o meu marido”, diz Albertina Lopes da Silva.

Foram 100 mil nordestinos que migraram para lá só no século passado. Aprenderam a viver da selva.

“Aí depois vieram os madeireiros, depois os grileiros, depois os fazendeiros. Aí foi derrubando, acabando a natureza”, conta Francisco Barbosa Brasil dos Santos.

Então começou um novo tempo, violento e sombrio. Primeiro a pressão.

“Só quem não vendeu terra na beira do rio foi esse velho bem aqui”, diz Edmilson Maranhão Viana.

Depois a ameaça.

“Os grileiros estavam lá. Então me botaram arma em cima e pediram cinco minutos pra gente sair de lá”, lembra Herculano Costa Silva.

Por fim, a morte.

“Aí eu peguei o queixo dele assim. Ele olhou para mim, aí fechou o olho. Pronto, se entregou”, conta Maria Federicci.

Tudo isso acontece na Terra do Meio, uma imensa área de floresta cobiçada por grileiros e madeireiros. Ela tem esse nome porque fica entre os rios Xingu e Iriri. É um mosaico formado por cinco unidades de conservação, cercado por terras indígenas.

O Médio Xingu é a área mais vulnerável, a mais ameaçada. É uma região totalmente isolada.

Chico Feitosa não vê o mundo lá fora. Até hoje, nunca viu essa tal de televisão.

Aos 75 anos, nem ele viu o próprio retrato. Nunca ninguém o procurou para tirar documento algum.

“Não tenho nem identidade, nem o CPF, nem outro documento, nem meus filhos”, afirma Chico.

E nem os netos. Três gerações de uma família que não existe para o estado brasileiro. Ninguém lá jamais freqüentou uma escola. Nem Francisco, nem Teresa e nem nenhum dos nove filhos do casal.

Fantástico: Vocês querem ter mais filhos?

Teresa Vieira de Morais: Não.

Fantástico: E o que vocês fazem pra não ter mais filhos?

Teresa Vieira de Morais: É porque a gente já tá velho, né?

Fantástico: Mas não tomam providência nenhuma, pílula anticoncepcional a senhora já tomou?

Teresa Vieira de Morais: Nunca.

Fantástico: Mas não tomou porque não chega, porque não gosta?

Teresa Vieira de Morais: Porque não tem mesmo.

Não tem remédio, nem médico, nem informação. Foram 12 filhos gerados no mesmo barraco. Três deles já morreram.

Analfabetos, Francisco e Teresa nem poderiam desconfiar: mas eles e outros ribeirinhos da Terra do Meio já foram vítimas da grilagem on-line.

As terras da região são anunciadas na internet como se fossem propriedade particular.

“Muita madeira dentro da área. Eu tenho terra ali que é só madeira, se quiser. Madeira nobre. Maçaranduba, ipê, angelim pedra. Essas madeiras aí”, diz um grileiro.

O próprio governo calcula em 100 milhões de hectares a área total de terras griladas no Brasil, o equivalente a quatro vezes o tamanho do estado de São Paulo.

O termo grilagem vem do tempo do império quando golpistas punham escrituras falsas numa gaveta e jogavam grilos em cima. Os excrementos dos insetos deixavam o papel amarelado, parecendo autênticos.

Só mudou a técnica. Fazendeiros continuam fechando negócio sem qualquer constrangimento.

Fantástico: O senhor comprou do grileiro?

Levino de Carvalho (fazendeiro): Isto, exatamente.

Fantástico: O senhor sabia que a terra era grilada?

Levino de Carvalho (fazendeiro): Sabia.

Fantástico: O senhor não se incomoda com isso?

Levino de Carvalho (fazendeiro): Não porque da Conceição do Pará para cá tudo foi assim. E tem muita gente empresário milionário fazendo a vida em cima disso.

Dois anos depois da criação de parques e reservas na Terra do Meio, ainda há rebanhos e currais debaixo das placas do Ibama.

A Justiça Federal ordenou a desocupação de uma área de mais de um milhão de hectares, o dobro do território do Distrito Federal. A Amazônia Projetos Ecológicos, empresa do grupo CR Almeida, diz ser dona da terra.

“O processo está correndo na Justiça Federal de Altamira e nós provaremos ao final que a área não é grilada”, afirma Francineide Amaral Levi, advogada da Amazônia Projetos Ecológicos.

Mas para o Ministério Público, um sofisticado esquema de fraude alimenta a indústria da grilagem.

“Toda uma expansão da fronteira agrícola sendo feita à custa de desmatamento, expulsão de populações tradicionais e ocupação irregular de terras públicas”, diz o procurador federal Marco Antônio Delfino.

A imagem do satélite mostra que a região de São Félix do Xingu foi raspada por estradas clandestinas que não constam nos mapas rodoviários, que o governo não conhece, mas que têm até nome. É o caso da Trans-Iriri. São 320 quilômetros cortando duas reservas.

Tráfego intenso. Linhas regulares de ônibus e dezenas de caminhões de madeira. E não há o menor risco de ficar sem combustível.

Uma complexa estrutura informal mantém uma economia baseada na extinção da floresta. E mesmo de cima de um tronco tombado, ninguém reconhece o óbvio.

A equipe do Fantástico chegou a uma área onde teoricamente só poderiam entrar pesquisadores e cientistas.

Dentro da estação ecológica Terra do Meio, proibida à visitação pública, não só há visitantes como há fazendas e desmatamento.

O padre Angelo Pansa, da Corte Internacional do Meio Ambiente da ONU, diz que os caboclos da região foram atingidos por um agrotóxico que está sendo jogado na floresta.

“Olhos inchados, falta de respiração. Alguém que foi esborrifado diretamente pelo avião passando pela estrada. Peixes morrendo nas lagoas. São os fazendeiros grandes da região que borrifam, são eles que têm como comprar esse produto”, conta o padre.

O padre fotografou a embalagem: 2,4 D - ácido diclorofenoxiacético, um dos componentes do agente laranja usado pelo exército americano na guerra do Vietnã.

“A aplicação aérea diretamente na pessoa, isso é um quadro inaceitável”, diz o toxicologista Francisco Paumgartten.

Morre a floresta. Morrem as pessoas – 30 covas num único cemitério clandestino. A causa das mortes?

“De acidente, de bala, de faca, de pau, de derrubada. Aquela coisa, tudo aconteceu”, conta o comerciante Raimundo Pereira dos Santos.

“A gente não fala assim: matou, não. É acidente de bala, a gente fala acidente, né?”, complementa ele.

Lá, a irmã Dorothy Stang morreu com seis tiros à queima-roupa.

Foi por causa da repercussão da morte dela que o governo criou quatro unidades federais de conservação da Terra do Meio. Mais de dois anos depois, o que se constata é que nenhuma delas existe na prática.

“Quanto mais o tempo passa, mais a grilagem se aproxima dessas áreas porque ela sente que o estado não está cumprindo aquilo que ele prometeu”, diz Ana Paula Souza - coordenadora da Fundação Viver, Produzir, Preservar.

No rastro da grilagem, destruição de gente, floresta, e do futuro que poderia nos redimir.

“Estão derrubando o céu porque as árvores são os braços que sustentam o céu”, comenta o padre Ângelo Pansa.

07/12/2007

Marcelo Canellas conversa com internautas




O repórter fala de sua experiência na Terra do Meio e comenta as reportagens da série "Brasil invisível".

Marcelo Canellas fala para a platéia: Bom dia!


Moderador apresenta a mensagem enviada por antonio: Bom Dia Marcelo, haverá continuidade desta reportagem, ou seja, uma série com todo o caminho da madeira desde a extração ao uso final?


Marcelo Canellas responde para antonio: A idéia da gente é sempre acompanhar esses desdobramentos das matérias que a gente faz. É uma maneira que temos de acompanhar.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Adriana: Quanto tempo levou para produzir a série e como foi convencer as pessoas a falarem sobre um assunto tão delicado?


Marcelo Canellas responde para Adriana: Essa é uma idéia muito antiga. Há muitos anos pensava em faze uma reportagens sobre os conflitos do sul do Pará. Levamos, ao todo, 20 dias de viagem. Usamos avião, barco e carro. O nosso planejamento era fazer tudo de maneira rápida e objetiva. É uma região tensa, com conflitos muito sérios. Na verdade, a gente acaba conquistando a confiança das pessoas ao explicar do que se tratava a reportagem. Toda reportagem foi feita com a câmera no ombro, à vista de todos. Nossa estratégia foi deixar claro o que estávamos fazendo lá.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Ana: Marcelo e equipe, parabéns pelas matérias. Como faço para ter acesso às fitas para serem utilizadas em sala de aula?


Marcelo Canellas responde para Ana: Olha, você pode acessar no site do Bom dia Brasil todas as reportagens. Elas estão lá.


Moderador apresenta a mensagem enviada por douglas: Sobre os beiradeiros, Marcelo, essa população vem aumentando ou os que tem a possibilidade tentam ir para as cidades? Existe uma cidade mais próxima?


Marcelo Canellas responde para douglas: A história deles é uma saga, que começou no século passado, quando as vésperas do Brasil entrar na Segunda Guerra Mundial, o governo contratou diversos nordestinos para virarem seringueiros e coletar borracha. Mais de 30 mil morreram nos primeiros anos. Os que restaram foram se adaptando à vida na floresta. Hoje, os descendentes deles são os grandes defensores da floresta. Eles estão sob risco permanente, ameaçados por grileiros e madeireiros. Muitos tiveram que fugir.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Monteiro: Quantas pessoas compõem a equipe que fez esse trabalho?


Marcelo Canellas responde para Monteiro: A equipe que viajou para a Terra do Meio foi composta por três pessoas: eu, o Luís Quilião e Wellington Dourado. Outros editores nos ajudaram aqui na edição.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Hendrix: Marcelo, porque o Ibama e a Polícia Federal não impedem a expulsão das pessoas de suas comunidades, e a posse ilegal de terras da União?


Marcelo Canellas responde para Hendrix: O que acontece é que, apesar do esforço abnegado e heróico de alguns servidores honestos, o fato é que o contingente é absolutamente ridículo naquela região. Existe meia dúzia de servidores para tomar conta daquela área. Existe uma omissão absoluta do estado em relação ao que acontece lá. O que rigorosamente está acontecendo lá é o Estado fechar os olhos para o cumprimento da lei.


Moderador apresenta a mensagem enviada por ales: Oi Marcelo, você e sua equipe fizeram a melhor e mais importante série dos últimos tempos. Qual o sentimento depois dessa missão? Preocupação? Tristeza? Indignação?


Marcelo Canellas responde para ales: Olha, tudo isso um pouco. Eu me envolvo com as pessoas com que convivi e as histórias que ouvi. O sentimento ao fim da viagem é um sentimento de esperança. Devemos repensar o modelo de ocupação da Amazônia.


Moderador apresenta a mensagem enviada por OlavoSantos: Quais as maiores dificuldades que você teve para realizar as matérias. Houve alguma ameaça?


Marcelo Canellas responde para OlavoSantos: As dificuldades naturais de acesso aquela região. Tivemos que viajar três dias de barco pelo Rio Xingu para chegar às pessoas. As estradas são muito precárias e clandestinas. Os conflitos são muito sérios, e estávamos sobre permanente tensão. Fomos abordados pelo que parecia ser um carro da Polícia Militar, com soldados armados, que cercaram nosso carro, nos revistaram e não nos pediram identificação. Foi uma abordagem muito estranha.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Dilermando: Quero saber se essa matéria foi enviada a ministra do Meio Ambiente, bem como se alguma autoridade paraense já solicitou a reportagem para tomar alguma providência?


Marcelo Canellas responde para Dilermando: A reportagem foi ao ar, é de domínio público. Nós já recebemos um contato do Ibama de que eles acompanharam a reportagem. Esperamos que as autoridades tomem as providências.


Moderador apresenta a mensagem enviada por nelson: Marcelo, sempre que vemos o caso da freira vemos apenas as ameaças as mortes etc., mas ninguém informa realmente o que acontece, os motivos, as disputas e o que realmente está em jogo. A atuação da freira, por que ela incomodava?


Marcelo Canellas responde para nelson: Isso se trata de interesses conflitantes. De um lado, estão as pessoas que defendem a floresta, uma convivência harmônica; e de outro lado, tem aqueles que querem ganhar dinheiro fácil, botar a floresta no chão e ganhar dinheiro com isso, às custas da destruição da Floresta Amazônica. A irmã Dorothy Stang morreu porque ela defendia a floresta contra os interesses dos grandes madeireiros. Existem outras 118 pessoas ameaçadas de morte por causa disso.


Moderador apresenta a mensagem enviada por marise: O caso da missionária Dorothy Stang ainda repercute forte na região, né? As pessoas falam abertamente ou evitam o assunto?


Marcelo Canellas responde para marise: Todas as pessoas têm muito medo. Quem procura falar abertamente sobre isso são os agentes sociais e os religiosos envolvidos diretamente com aquelas pessoas e com essas missões.


Moderador apresenta a mensagem enviada por tereza: As terras da Floresta Amazônica podem ser vendidas, Marcelo? Como pessoas podem comprar essas terras e ainda com papéis de cartório? Alguns podem estar envolvidos também?


Marcelo Canellas responde para tereza: Alguns cartórios estão envolvidos sim, inclusive o 1º cartório de Altamira foi fechado. Terras públicas não podem ser vendidas, só sob licitação pública. Existe uma apropriação ilegal.


Moderador apresenta a mensagem enviada por biscaia: Quero saber se o que aquele beiradeiro declarou é verdade: de não ter documentação. Não existe estatística do IBGE lá?


Marcelo Canellas responde para biscaia: Realmente não existe, mas precisa se fazer uma distinção. Existem os beiradeiros, as populações que tem o direito legal de ocupação, e existem os espertalhões, que querem ganhar o dinheiro fácil.


Moderador apresenta a mensagem enviada por margarida_santos: Como funciona a atuação de organizações como a WWF e o Greenpeace na região? Elas conseguem resultados expressivos em relação à preservação, principalmente?


Marcelo Canellas responde para margarida_santos: Olha, os dois tem feito denúncias distemáticas sobre a devastação daquela região. Como o acesso é muito difícil, muitos daqueles lugares nunca foram visitados por estas ongs.


Moderador apresenta a mensagem enviada por sandra_cunha: A que você atribui tanta falta de interesse e descaso com a Amazônia? Seria o tamanho da região? Pelo que você conheceu, dá para implementar uma política de segurança melhor nesses locais?


Marcelo Canellas responde para sandra_cunha: Agora é mais fácil e menos trabalhoso para o Estado Brasileiro deixar que a coisa aconteça de maneira desorganizada do que aprontar uma política de segurança. Por que não reconhecer os esforços dos beiradeiros? Por que não fazer deles agentes ambientais? Instalar postos de saúde ou escolas.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Monteiro: Você acredita que a série pode mudar a realidade daquela região? Ou somente tornar conhecido um problema que não tem mais remédio?


Marcelo Canellas responde para Monteiro: Olha, eu acredito que o problema tem remédio. Acho uma questão de humildade intelectual reconhecer que pode não mudar. O que queremos é jogar uma luz naquilo que estava obscuro. Que as pessoas pressionem as autoridades.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Vanessa: Qual a noção de futuro para essas pessoas?


Marcelo Canellas responde para Vanessa: Olha, se nada acontecer, se o Estado não estiver presente, eu temo pelo futuro daquelas pessoas. É um compromisso que o Brasil tem, uma dívida, com aquelas pessoas que moram lá.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Leandro: Na última reportagem, você apresenta a presença da Igreja Católica na região do Pará, que tipo de trabalho ela desenvolve?


Marcelo Canellas responde para Leandro: Olha, tem trabalhos muito importantes. A irmã Dorothy Stang é um exemplo. Essa é a igreja que defende o povo.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Mak: O que você veria sobre a internacionalização da Amazônia depois destes fatos?


Marcelo Canellas responde para Mak: Essa é uma história recorrente. O Brasil é pressionado sobre não proteger a floresta. O Brasil é soberano e tem o dever de defender uam coisa que é sua. Ele tem que chamar pra sí a responsabilidade e defender a floresta e os moradores.


Moderador apresenta a mensagem enviada por OlavoSantos: Viajo muito no interior da Amazônia, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá etc., e vejo esta mesma situação em todas as partes, você pretende divulgar essa situação em outros estados?


Marcelo Canellas responde para OlavoSantos: Essa é uma ótima proposta.


Moderador apresenta a mensagem enviada por LuizAlvaro: Depois da morte do seringalista Chico Mendes, ao final de 2007, ou seja, 19 anos após a sua morte, o que mudou na Amazônia? O legado de Chico é uma proposta de solução para os conflitos nesta região tão marcada por mortes como a do próprio Chico Mendes?


Marcelo Canellas responde para LuizAlvaro: É um legado sim, e pode ser muito bem aproveitado. Esse modelo é o que esperamos que seja implementado.


Moderador apresenta a mensagem enviada por luciana: Marcelo, essas pessoas com as quais você falou, em algum momento, mostraram se preocupar com desmatamento, aquecimento global etc.? Eles falam sobre isso?


Marcelo Canellas responde para luciana: Os beiradeiros tem uma impressão intuitiva sobre isso. Eles usam a expressão “quentura” para falar sobre esse desconforto que sentem. São pessoas que geram um típico de conhecimento que temos que respeitar e conviver com isso. Muitas das pessoas que conversamos estão muito preocupadas e, é claro, outras não dão a mínima. Esperamos que o lado humano vença.


Marcelo Canellas fala para a platéia: Eu só quero agradecer e espero, sinceramente, que esse trabalho possa trazer alguma reflexão e melhora para a Terra do Meio. Obrigado!

Retratos de uma Amazônia desconhecida, repleta de ilegalidades, impunidade e dramáticas histórias de vida.

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Reportagem:
Marcelo Canellas

Reportagem Cinematográfica:
Luiz Quilião

Técnica:
Wellington Dourado

Arte:
Cynthia Strougo
Doris Kosminsky
Fernanda Garrafiel

Edição de Imagens:
Paulo Ferreira

Apoio à produção:
João Paulo de Almeida
Paulo Motta
Acyr Souza
Alexandre Graziani
Anderson Gazio

Produção e Edição:
Fátima Baptista



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